Atacarejo, de fruto da crise a hábito de compra. Como mudança no comportamento do consumidor alavancou o novo modelo?

Crise econômica fez o brasileiro mudar a rotina de compras básicas, trazendo crescimento para a operação de atacarejo, que não para de ganhar força no país.

Pela primeira vez na história, o chamado atacarejo – modelo de negócios voltado tanto para o comprador profissional, como para o consumidor final – superou o supermercado como o segmento mais frequentado pelos brasileiros para se fazer compras. Uma pesquisa divulgada pela Nielsen Media Research em 2018 indicou que 60% dos clientes visitaram as unidades deste formato no ano passado, em comparação aos 58% que dizem ter feito compras em supermercados.


Nos últimos anos, cada vez mais redes tem apostado no formato operacional do atacarejo. E o consumidor tem aceitado bem o novo cenário. O estudo da Nielsen indica uma alta de 13,9% no valor de vendas e de 12,8% no volume do setor. A mesma pesquisa indica um decréscimo de 2,6% no faturamento e 2,7% no volume dos supermercados. Para os hipermercados, a retração chegou a 5,9% e 6,4%, respectivamente.

O novo comportamento do cliente tem contexto e explicação. O varejo alimentar é uma modalidade econômica extremamente sensível às oscilações políticas e econômicas do país. A partir de 2014, o Brasil iniciou um cenário de grande instabilidade nesses dois campos e, por isso, os brasileiros precisaram transformar os seus hábitos de compra para se adaptarem à nova realidade.

Conhecido pelo preço baixo, o atacarejo tem a proposta de vender alimentos e itens de higiene e limpeza a preços mais baixos do que nos supermercados e hipermercados. Com uma operação diferenciada, esses estabelecimentos conseguem reduzir o preço final dos produtos graças ao alto volume de vendas, que tem o potencial de lucro focado no ticket-médio por compra e a união do ponto de distribuição e do ponto de venda em um único lugar.

O case Max Atacadista

Com sua loja de atacarejo inaugurada em 2018 em Londrina, o Max Atacadista, do Grupo Muffato, tem um grande planejamento de expansão. Seguindo a tendência do setor no país, em 2019, foram duas lojas inauguradas no Paraná: em Fazenda Rio Grande e em Araucária. Além disso, a rede também marca uma forte presença no interior de São Paulo, com uma loja em Presidente Prudente e duas em São José do Rio Preto.

Estratégia que mantém a loja cheia

A fórmula para esse crescimento é aliar o diferencial do preço baixo com a flexibilidade no pagamento – o Max Atacadista aceita cartões de crédito e débito com bandeiras diferenciadas, além de ter um cartão próprio da loja – cumprindo também um estratégico alinhamento de marketing, que une os canais on e offline. A divulgação é constante na televisão, nos carros de som, nos spots de rádio, nas redes sociais e no site.