Mídia Out of Home e os limites do mundo conectado

Quando pensamos em maneiras de divulgar um serviço ou produto, nossa mentalidade contemporânea nos leva a concluir que isso será feito, nos dias de hoje, através das redes sociais, sites institucionais ou e-commerces, propagandas na televisão... também pensamos nas estratégias de posicionamento do Google, em AdWords, posts patrocinados no Facebook e outras tantas maneiras de alcançar o maior número possível de pessoas por vias digitais.

Ter estes fatores em mente é de extrema importância, especialmente em um mundo conectado no qual o digital tem cada vez mais voz diante dos outros tipos de mídia. A mídia off-line, por exemplo, antes amplamente utilizada, passou a ficar em segundo plano – os spots de rádio, as propagandas televisivas e os anúncios em jornais e revistas são escolhas cada vez menos óbvias. Mas isso não significa que as marcas não devam pensar em como atingir o consumidor quando ele está na rua. Pelo contrário.

Os recursos de mídia out of home (ou “mídia fora de casa”) surgiram para suprir a necessidade das empresas de se comunicar com as pessoas que estão em constante movimento, ou seja, a maior parte da população. Aqui, não falamos necessariamente em mídia off-line, mas em todo e qualquer tipo de mensagem que surja do lado de fora da casa das pessoas – isso inclui painéis de LED em shopping centers, os grandes telões com anúncios em 3D na Times Square, em Nova York, e demais aplicações de meios digitais na publicidade.

Entre janeiro e dezembro de 2017, de acordo com um estudo da Kantar Ibope Media, os investimentos em mídia out of home representaram, no Brasil, 3% do bolo publicitário – cerca de R$ 3,9 bi, em valores brutos. Em relação ao ano anterior, o crescimento foi de 38%. Estes índices atestam a preocupação crescente das marcas com o impacto que podem causar para além dos limites da internet. 

Como em todo e qualquer tipo de propaganda, é fundamental conhecer o público-alvo e estudar seu comportamento, descobrir quais lugares este público frequenta, qual linguagem o atinge e quais as maneiras mais efetivas de fazê-lo parar para observar a publicidade ao ar livre. Lembre-se também de estar a par das regras para a mídia out of home de cada lugar, visto que cada cidade tem suas restrições. Isto feito, a criatividade pode rolar solta: a ousadia é quem manda na escolha da tipografia, do design, do conceito e da mensagem, que deve ser a mais clara possível.

Algumas campanhas deste tipo de mídia foram certeiras e fizeram muito sucesso. A Coca-Cola, por exemplo, criou miniquiosques para promover novas minilatinhas. Por trás, um conceito simples: “são as pequenas coisas da vida que nos fazem felizes”.  

A Netflix, por sua vez, teve uma sacada genial ao espalhar mais de 100 GIFs com imagens de suas produções em outdoors na França. Como se não bastasse, o comportamento das animações variava de acordo com as condições do local: se estava chovendo, por exemplo, um GIF de cena com chuva aparecia no outdoor. 




Outra iniciativa incrível ficou por conta do Mc Donald’s, também na França, que confeccionou uma placa gigantesca que indicava a distância e as coordenadas até a unidade mais próxima do Burger King, seu principal concorrente, que ficava a 258 quilômetros. Estranho? Loucura? Não se pensarmos que, ao lado, havia uma placa indicando a quantos quilômetros estava o próximo Mc Donald’s: apenas cinco. “O Mc Donald’s está mais próximo de você”, dizia o anúncio. Extraordinário!



Pensar em mídias digitais é imprescindível, mas os mecanismos de renovação das mídias tradicionais são tão válidos quanto. Busque referências, inspire-se e não se esqueça de que os consumidores em potencial estão em todos os lugares!