Os futuristas, as tendências e as previsões inovadoras

Carros voadores, robôs que substituem humanos, teletransporte, turismo espacial: estas são algumas das previsões que é possível encontrar nas pesquisas sobre como será a vida no futuro. Tratando-se dele, não há como saber o que acontecerá. Há, no entanto, uma categoria de profissionais capacitados cujos prognósticos são mais confiáveis que aqueles divulgados a torto e a direito na internet: os futuristas.

Como o nome já diz, os futuristas traçam cenários, preveem tendências, estudam o comportamento do mercado e orientam empresas quanto à criação e desenvolvimento de novos produtos. O trabalho nada tem a ver com o de um vidente; o futurista atua com base em conjunturas sociais, ambientais, demográficas, etc. Além disso, a Lei de Moore, elaborada por Gordon Moore, os ajuda bastante. Em 1965, o químico estadunidense, o poder de processamento dos computadores dobra a cada 18 meses, mantendo-se o custo de fabricação. É uma máxima que rege muitas das profecias dos futuristas.

Mas quem são, afinal, estes profissionais? O que eles dizem sobre o futuro em relação a tecnologia, inovação, mundo corporativo? 

O mais famoso futurista contemporâneo é Raymond Kurzweil. Inventor e diretor de engenharia do Google, Kurzweil defende a teoria da singularidade tecnológica, segundo a qual o crescimento desenfreado da inteligência artificial vai afetar de maneira irreversível a civilização humana. O termo “singularidade” surgiu na década de 1950, com John von Neumann, que afirmou que “a aceleração do progresso tecnológico e as mudanças no modo de vida humana dão uma aparência de singularidade essencial na história da raça, para além da qual os assuntos humanos, como os conhecemos, não podem continuar”.

Raymon Kurzweil, futurista e diretor de engenharia do Google


No tocante à inteligência artificial, Kurzweil prevê certos perigos, mas, segundo ele, em palestra ministrada no South by Southwest 2018, um dos maiores eventos de inovação do mundo, “não devemos nos preocupar. A tecnologia já está em nossos bolsos - e agora está entrando em nossos corpos. Do mesmo jeito que construímos ferramentas para levantar prédios, criamos celulares para ampliar o acesso a conhecimento”. 


O futurista também afirmou que, na medicina, será possível personalizar os diagnósticos e tratamentos à medida em que informações sobre doenças apareçam no DNA de cada indivíduo. Além disso, segundo ele, “nas próximas décadas teremos nanorrobôs capazes de criar células para combater todo o tipo de patógeno. Tudo isso já está acontecendo”. 

No que diz respeito a mercados, Kurzweil afirmou que, da mesma maneira com a qual a agricultura foi altamente impactada pelas inovações tecnológicas, o setor de transportes será afetado pelos carros autônomos. “Mas isso não quer dizer que esses mercados estejam desaparecendo”, garantiu.

O Brasil tem um futurista de renome: Tiago Mattos. O publicitário e empreendedor é um dos poucos brasileiros a ter passado pela Singularity University, no Vale do Silício, é professor na Hebrew University e fundador da Perestroika, uma escola criativa, e da Aerolito, que colabora com organizações e pessoas que querem pensar o futuro.

No manifesto disponibilizado pela Aerolito, a empresa diz estar comprometida com algumas ideias específicas até 2027: milhares de empresas terão, até lá, suas próprias criptomoedas, a ponto de criar mercados paralelos independentes de governos e bancos; haverá uma enciclopédia de realidade virtual tão grande quanto a Wikipedia; nanorrobôs serão injetados na nossa corrente sanguínea e combaterão doenças de dentro para fora (uma previsão análoga à de Kurzweil!); democracias representativas serão substituídas por democracias diretas em blockchain; DNAs poderão ser editados de maneira acessível a todos, de forma a livrar a humanidade de doenças como o câncer; e haverá dispositivos tão inteligentes quanto a inteligência artificial proposta no filme “Her”.